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APS: Prevenção Quaternária, Sobrediagnóstico, Medicina Centrada na Pessoa

O que é APS e conceitos

A Atenção Primária a Saúde é um ramo da Medicina que se dedica aquele cuidado mais básico que deveria ser oferecido a todos as pessoas. Oferecida em UBSs e Postos de Saúde por Médicos de Família, ela tem como base a prevenção, um modo infalível de tornar uma população mais saudável e reduzir a prevalência e o gasto com muitas doenças.

Além da prevenção, existem alguns outros conceitos muito importantes que fazem parte da APS, e neste post nós resolvemos esclarecer alguns deles. Confira:

APS e conceitos importantes

  • Prevenção quaternária: garantir que pacientes que correm risco de serem supermedicados ou submetidos a procedimentos desnecessários não passem por isso. Impedir medidas invasivas ou não, que não representem benefícios reais ao paciente. Ex: não prescrever estatinas para controlar o colesterol alto de pacientes, quando a causa dessa alteração é o mal controle do diabetes, que poderia ser feito com a otimização de hipoglicemiantes orais ou do uso de insulina.
  • Sobrediagnóstico: ocorre quando se diagnostica em alguém uma doença que não causaria sintomas e nem levaria à morte, o que pode gerar ansiedade e procedimentos desnecessários. Ex: solicitar USG de fígado em um paciente sem sintomas, encontrando esteatose grau I, que não exige tratamento mas faz com que o paciente passe a viver com a preocupação de mais um diagnóstico.
  • Medicina centrada na pessoa: ressalta que a relação entre um médico e o seu paciente ocorre entre duas pessoas, o que valoriza os aspectos humanos envolvidos no cuidado e a necessidade de que não só as demandas físicas do paciente sejam supridas, mas também as emocionais e sociais. Ex: entender que talvez este não seja o melhor momento para planejar uma operação em seu paciente que prefere esperar que a filha se case porque tem medo de não voltar vivo do procedimento.
  • Sintoma como diagnóstico: nem sempre numa consulta da Atenção Primária à Saúde serão obtidos diagnósticos a partir das queixas dos pacientes. A prioridade é entender o que o incomoda e buscar uma solução, ainda que isso não se enquadre nos critérios e parâmetros das doenças conhecidas. Ex: num quadro de dispepsia que não parece orgânica e nem se caracteriza como funcional, talvez seja importante medicar o paciente com sintomáticos e fazer uso da longitudinalidade para nas próximas consultas definir melhor o que tem gerado os sintomas.
  • Negociação do plano terapêutico: encontrar sempre um plano terapêutico que satisfaça os objetivos médicos e as expectativas do paciente. Nem sempre o que se mostrou melhor nos estudos será o melhor para o paciente, e cabe ao médico dar espaço para que as decisões sejam tomadas em conjunto. Ex: substituir um procedimento que possivelmente necessitará de transfusão sanguínea num paciente testemunha de Jeová por outro que ofereça esse risco.
  • Longitudinalidade: a construção da relação médico-paciente na APS tende a ser feita aos poucos, através de um grande número de consultas num longo período de tempo. O princípio da longitudinalidade tenta garantir que cada médico conheça bem os seus paciente, e seja capaz de oferecer o melhor atendimento possível.

Mas e você, o que achou dos conceitos da APS que nós separamos? Qual deles é mais importante na sua opinião? Deixe o seu comentário aqui no blog Essas e Outras.

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